SEXO NA WEB, POR QUE NÃO?

 

        Tem muita gente boa preocupada com o sexo na internet. Gente que nem tem fama de moralista fala que a rede mundial está sendo mal usada, que é um absurdo, que há nela muito lixo à disposição de qualquer um. Há mesmo. e ainda bem que há.
        Na Declaração dos Direitos do Homem deveria haver uma cláusula dizendo: todo homem tem direito a uma vida sexual privada, seja virtual ou real. Existe algo de puritano no desprezo com que certas cabeças se referem ao conteúdo de sites eróticos e fazem pose citando endereços culturais como seus preferidos.
        Ainda bem que qualquer pessoa, seja por estar solitária, ou por ser tímida, ou por gostar, ou por ser doentia, ou por desejo de se excitar, ou por pura farra tem onde achar material erótico (ou mesmo pornográfico, se for do seu gosto) sem sair de casa, sem se expor a olhares, risinhos ou agressão. É uma coisa íntima, pessoal, ninguém tem nada com isso. A arrogância de alguém que se acha melhor do que aqueles que navegam por sites eróticos é igual a qualquer arrogância e deve ser chamada pelo nome que tem.
        Claro que há usos escusos. Os que se aproveitam do anonimato para divulgar, vender e estimular degradações de crianças ou violências sexuais são criminosos como quaisquer outros e como tal devem ser caçados e cassados. Porém, a livre informação sobre atos aprazíveis e corpos agradáveis nada tem de condenável. Tem gente que precisa e tem gente que gosta.
        Antigamente era dificílimo arranjar amantes virtuais. Nosso nível de exigência ficou baixo. Até lingerie no varal servia de inspiração. É um privilégio das novas gerações esse desbragado espaço cibernético. Bom proveito.


Ivan Angelo (revista Playboy - jul/99)

 

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